Ideias de Soluções para melhorar o Transporte Público de Curitiba
Ideias de Soluções para melhorar o Transporte Público de Curitiba
Vivo há 18 anos em
Curitiba e utilizei muito o transporte coletivo. Foi o meu principal meio de
deslocamento pela cidade na época da faculdade. Hoje utilizo muito menos, a
praticidade do carro acabou levando a melhor. Mas presenciei um pouco a
deterioração que ele vem sofrendo ano após ano.
Acho que existem
algumas soluções que poderiam ser colocadas em pauta e é sobre isso que gostaria
de falar. Lembrando que as sugestões se tratam somente de opiniões pessoais e
nada mais.
Histórico
Curitiba tem um
sistema de ônibus com vias exclusivas que atravessam a cidade nos chamados
Eixos Estruturais. O Plano Diretor da cidade prevê, junto com o sistema de
mobilidade urbana, um zoneamento que favorece a verticalização mais acentuada
nesses locais.
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| Sistema Trinário nos Eixos Estruturais de Curitiba |
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| Zoneamento nos Eixos Estruturais de Curitiba - IPPUC |
Curitiba ficou muito
famosa no Brasil quando implantou na cidade vias dedicadas exclusivamente ao
deslocamento de ônibus. A solução de urbanismo veio junto com soluções
arquitetônicas para o embarque e desembarque de passageiros: as estações-tubo
que mais tarde, na década de 1990 seriam incorporadas ao mobiliário curitibano
de forma a representar a cidade em estampas de camisetas, souvenir nas lojinhas de turismo e brinquedos para as crianças. Faz
parte do cotidiano de Curitiba esses ônibus vermelhos, os chamados
biarticulados e suas plataformas de embarque/desembarque. Virou espécie de
símbolo da cidade junto com as Araucárias, alguns parques (Jardim Botânico, por
exemplo) e prédios (edifício histórico da UFPR e o Museu Oscar Niemeyer).
Embarque em nível: uma solução prática
As estações-tubo
tinham uma razão de engenharia para existir também: como o pagamento do bilhete
dos passageiros era realizado previamente ao embarque, o ônibus precisava ficar
menos tempo parado, aumentando assim sua eficiência e diminuindo o tempo de
deslocamento em relação ao sistema de embarque tradicional.
A plataforma de
embarque ocorre no mesmo nível da porta eliminando a escada, riscos de
acidentes e mais atrasos na operação de parada. Isso somado ao fato do ônibus
correr numa via dedicada que o tira da competição do trânsito permite que o
sistema seja mais eficiente, permitindo inclusive a operação de veículos muito
grandes. Os ônibus biarticulados comportam entre 230 e 250 passageiros contra
cerca de 100 de um veículo convencional (Fonte: URBS Composição da Frota).
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| Ônibus estacionado na plataforma de embarque/desembarque |
Em resumo, as
vantagens do sistema são:
- Eliminação da concorrência dos ônibus e veículos diversos pelo espaço no trânsito
- Possibilidade de colocar veículos grandes para operar;
- Menor tempo de parada;
- Abrigo para os usuários: a estação tubo protege os usuários das intempéries.
Situação Atual
O problema atual é
que esse sistema continua basicamente o mesmo mais de 30 anos de sua
implantação original. É certo que houveram algumas implementações importantes
ao longo do tempo, o sistema como um todo não nasceu do jeito que é hoje, mas
uma característica ainda persiste: o cruzamento em nível das canaletas de
ônibus com as ruas transversais. Se não existe competição no trânsito nos
horários de pico, os ônibus ainda continuam a parar no sinal vermelho para que
os carros e outros ônibus convencionais possam fazer suas travessias.
Em horários de pico,
nas linhas mais congestionadas, isso significa não raras vezes que o ônibus para
na estação-tubo, anda poucos metros para novamente parar no sinal vermelho. Em
alguns casos como a estação-tubo está próxima do cruzamento, um eventual ônibus
que venha atrás também ficará parado esperando sua vez de fazer
embarque/desembarque.
Se eliminarmos o
cruzamento em nível, pelo menos nas linhas mais carregadas e nos trechos onde
mais de uma linha faz a operação, o sistema como um todo ganharia em eficiência
pois seria possível colocar mais veículos para atender a alta demanda do
horário. Os ônibus fariam a parada na estação de embarque/desembarque como
ocorre hoje e seguiriam viagem liberando espaço para os veículos que vêm logo
atrás. Isso permitiria otimização e implantação de alguns recursos de
planejamento utilizados em sistemas de metrô como cálculo preciso de tempo
entre uma composição e outra. O gestor do sistema conseguiria por exemplo,
havendo veículos suficientes, liberar os ônibus de minuto em minuto nas
estações o que se traduziria em mais eficiência atraindo mais usuários para o sistema
contribuindo assim para o barateamento da operação.
Como Eliminar os Cruzamentos em Nível
Que fique claro que
estamos apenas no nível das ideias aqui. Seria necessário um estudo aprofundado
para avaliar a viabilidade técnico-econômica das propostas aqui elencadas.
A primeira proposta
seria implantar um sistema de trincheiras onde os ônibus mergulhariam e
passariam por baixo do cruzamento logo após deixar o tubo. Apenas o suficiente
para a altura do ônibus e um sistema de proteção para os pedestres não sofrerem
acidentes. Logo após o cruzamento, o veículo voltaria ao nível original para
poder parar no próximo tubo e somente nele. Nas ruas de trânsito lento onde os
veículos de passeio trafegam hoje, nada mudaria. Eles continuariam esperando
sua vez no sinal fechado.
A segunda proposta
seria fazer um elevado para o ônibus passar por cima do cruzamento, uma espécie
de viaduto dedicado. A situação seria a mesma da trincheira e até acho que
ambas as soluções poderiam ser adotadas, vide conveniência e situações caso a
caso estudadas.
Convenhamos que em
ambos os casos isso é muitas vezes mais barato e rápido do que implantar todo um
sistema subterrâneo para passagem de trens. No caso, a implantação das
trincheiras/viadutos seria feita por etapas e o trânsito precisaria ser
desviado enquanto durassem as obras. Isso foi o que ocorreu nas situações onde
as estações tubo foram desalinhadas e a via alargada para permitir a passagem
do ligeirão, um ônibus que não para
nos tubos e segue direto até o terminal. A ideia da implantação dessas linhas
também foi ganhar agilidade pois quem não precisa parar nos tubos pegaria um
ônibus direto e teria seu tempo de viagem diminuído.
Uma outra sugestão
para otimizar o sistema seria adaptar o sistema de estações-tubo para comportar
ônibus mais altos, com dois andares, os chamados double decks. Isso permitiria quase que dobrar a capacidade do
sistema sem ter que fazer muitas obras nas vias públicas, mas as estações
precisam ser repensadas para otimizar o embarque/desembarque. Os ônibus também
precisariam ser projetados do zero o que causaria custos para as empresas que
operam o sistema. Para não haver aumento das passagens em função dessas
melhorias, isso precisaria ser subsidiado pelo poder público. Novamente,
estudos aprofundados apontariam a viabilidade dessa sugestão.
Enfim, acredito que
muitas soluções podem ser adotadas no transporte coletivo atualmente vigente sem
jogar fora anos de vanguarda no planejamento de um sistema que, de toda forma,
está instalado e operando.
Fontes pesquisadas:



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